Salve meus irmãos! Depois de muito tempo volto aqui para escrever um pouco e falar sobre um assunto que todo ano aparece nos terreiros: Carnaval e Umbanda. Afinal devemos ficar recolhidos ou curtir as festas de Carnaval?
Primeiro vamos voltar às origens! O carnaval é uma festa brasileira?
Para quem não sabe, o Brasil não é o único país a comemorar o Carnaval. Cidades como Veneza (Itália), Nice (França), Nova Orleans (EUA), Ilhas Canárias (Espanha), Oruro (Bolívia) e Barranquilla (Colômbia), também celebram a festa de forma bem animada.
A origem do Carnaval está nas festas aos deuses antigos. Na Babilônia, se realizava a comemoração das Saceias. Já na Grécia Antiga, havia festas para se comemorar a chegada da primavera onde estava permitido que toda população, sem distinção de nascimento, participasse do evento. Celebração semelhante ocorria no Império Romano, na Saturnália, quando as pessoas se mascaravam e passavam dias a brincar, comer e beber.
Com a ascensão do cristianismo, as festas pagãs ganharam novos significados. Assim, o Carnaval tornou-se a oportunidade dos fiéis despedirem-se de se alimentarem de carne. Inclusive, a palavra carnaval vem do latim carnis levale que significa “retirar a carne”.
Para a Igreja Católica, o Carnaval antecede a Quaresma, o período de quarenta dias antes da Páscoa, onde se recorda o momento no qual Jesus esteve no deserto e foi tentado pelo demônio.
O fato é que no mundo moderno o Carnaval foi demonizado pelas culturas religiosas cristãs e, principalmente, pelos protestantes evangélicos. Essa idéia de se recolher no carnaval não serve para o umbandista! Entendam:
Nossas raízes umbandistas se centram em dois pilares: Indígena e Africano. Na cultura dos povos originários não existe a figura do diabo e muito menos as festas são encaradas de forma negativa. Na cultura africana está o tambor, a dança, a alegria de viver e comemorar a própria existência. Dessa cultura nasce o samba e o remodelamento do que é o Carnaval.
Saibam que os africanos escravizados se divertiam nestes dias ao som de batuques e ritmos trazidos da África e que se mesclavam com os gêneros musicais dos colonizadores. Esta mistura seria a origem da marchinha de carnaval e do samba, entre muitos outros ritmos musicais.
Sobre o fato do umbandista achar que quiumbas e eguns andam por aí no Carnaval obsediando os outros, vos digo o seguinte: Espíritos negativados só interagem com pessoas de mesma frequência vibratória. Qualquer dia é dia para um quiumba ou um egun entrar na sua vida se assim você permitir.
Umbandista curta seu Carnaval! Se divirta! Sem culpa e sem medo! Exu não precisa fechar o seu corpo para que você tenha momentos de lazer, ok?
Umbanda e Carnaval, de certa forma, tem tudo haver! Afinal, nossa cultura muitas vezes é representada pelos sambas enredo das escolas de samba e os grandes poetas do samba foram e são, até hoje, macumbeiros como nós.
Se você não é um amante de samba ou da folia, existe uma outra opção: Faça como eu e descanse, curta a família e renove suas energias.
Deixo aqui o convite para conhecerem nossa plataforma EAD de estudos sobre Umbanda:
Axé! Saravá! Mojubá!



